Setembro Amarelo: os números por trás do esgotamento no trabalho
Setembro é o mês em que unimos forças para falar sobre o Setembro Amarelo, campanha voltada à valorização da vida e à prevenção do suicídio, criada em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).
Um dos fatores que têm ganhado destaque nessa conversa é o Burnout, a síndrome de esgotamento profissional. O Burnout resulta do estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi administrado com sucesso, e se manifesta de três formas principais: exaustão física e emocional, sensação de distanciamento ou cinismo em relação ao trabalho e queda na percepção da própria eficácia profissional. Falar sobre saúde mental no trabalho, portanto, é parte essencial de qualquer estratégia séria de prevenção ao suicídio.
Antes de falar sobre como cuidar de si, vale entender a dimensão do problema. Os números mostram que o esgotamento no trabalho deixou de ser exceção:
- O Brasil ocupa a segunda posição no mundo em casos de Burnout, atrás apenas do Japão.
- Estudos recentes indicam que entre 18% e 32% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas de Burnout.
- Em 2025, mais de 546 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais no Brasil — um recorde histórico, considerando apenas afastamentos acima de 15 dias pelo INSS.
Esses números não existem para assustar, mas para validar algo importante: se você está exausto, você não está exagerando, e não está sozinho.
Sinais que merecem sua atenção:
- Cansaço que não passa mesmo depois de dormir ou tirar folga
- Dores de cabeça, tensão muscular ou problemas digestivos frequentes, sem outra causa aparente
- Alterações no sono (dificuldade para dormir ou sono que não recupera a energia)
- Alterações no apetite
- Irritabilidade ou impaciência fora do seu padrão habitual
- Sensação de distanciamento ou cinismo em relação ao próprio trabalho
- Dificuldade de concentração ou memória, mesmo em tarefas simples
- Sensação de que "nada que você faz é suficiente", mesmo entregando o que era esperado
- Perda de motivação ou de sentido no que antes fazia sentido
- Isolamento: evitar contato com colegas, família ou amigos
- Procrastinação de tarefas antes rotineiras
- Aumento no uso de álcool, remédios ou outras substâncias como forma de lidar com o dia a dia
- Queda perceptível de desempenho, mesmo se esforçando mais
Um ponto importante: não é preciso ter todos esses sinais ao mesmo tempo, nem estar no limite, para que valha a pena buscar apoio. Quanto mais cedo você reconhece um padrão, mais simples costuma ser lidar com ele.
Confira os canais de apoio:
- CVV (Centro de Valorização da Vida): ligue 188 (atendimento gratuito, sigiloso, 24h) ou acesse cvv.org.br para chat e e-mail.
- SUS (Rede Pública): Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Distrito Federal.
